Há 8 anos atrás, esta foi uma noite em que dormi pouco, mas bem.
O dia tão aguardado estava a umas horas de distância. Depois de 6 anos e meio de namoro, apesar de hoje em dia acharmos que éramos dois miúdos, aquilo era o passo a dar. O sabor da independência, do tempo e do espaço só nosso, era mais do que apetecível.
1 semana antes, com tudo preparadíssimo, fui acometida de um torcicolo gigantesco, que me deixou noites a fio a dormir com um cachecol enrolado no pescoço depois de uma massagem vigorosa com uma pomada que tresandava a cânfora. Isto tudo com temperaturas de fim de Verão, a passarem os 30º. Consegui superar o dito a tempo de me poder manter direita a olhar o meu noivo no grande dia.
Ah...e o vestido...eu jurara ódio de morte aos vestidos de tule. Sempre que os meus olhos pousavam num daqueles, pelo meio das revistas de vestidos de noiva que folheei frenéticamente naquele ano que antecedeu o casamento, fazia caras de tédio e nojo, prometendo que nunca seria um tufo de merengue pérola. Tudo isto para grande desgosto da minha mãe, que amava todos os que tinham o malfadado tecido.
Não sei que feitiço me lançou. Naquela tarde, experimentei todos os vestidos que haviam, que correspondiam a tudo o que eu dizia adorar, passei as mãos por AQUELE...e passei depressa, porque achava que não era nada daquilo. Por último, a minha mãe - vá, experimenta, ninguém diz que vais comprar, é só para ver...
Pois que se deu o clique, e eu estava entre o deslumbrada e o horrorizada. Nem sabia bem o que pensar, porque o que sentia era que o vestido tinha sido feito para mim, para o meu dia de Cinderela. E foi...