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Coisas especiais

17 de novembro de 2011


Quando vim para esta casa, que foi dos meus avós, dos objectos antigos fiquei apenas com um antigo cachimbo do meu avô e com este candeeiro.
E limpo-o com desvelo e carinho, sempre com medo que se danifique. 
É só um objecto, é verdade, mas as nossas memórias apegam-se a eles. Não propriamente pelo que representam para nós, mas pelo que representaram na vida de quem amámos.
Nunca o usei, mas gostava de fazê-lo um dia.

Em modo regresso ao passado

7 de setembro de 2010

Há 8 anos atrás, esta foi uma noite em que dormi pouco, mas bem.
O dia tão aguardado estava a umas horas de distância. Depois de 6 anos e meio de namoro, apesar de hoje em dia acharmos que éramos dois miúdos, aquilo era o passo a dar. O sabor da independência, do tempo e do espaço só nosso, era mais do que apetecível. 
1 semana antes, com tudo preparadíssimo, fui acometida de um torcicolo gigantesco, que me deixou noites a fio a dormir com um cachecol enrolado no pescoço depois de uma massagem vigorosa com uma pomada que tresandava a cânfora. Isto tudo com temperaturas de fim de Verão, a passarem os 30º. Consegui superar o dito a tempo de me poder manter direita a olhar o meu noivo no grande dia.
Ah...e o vestido...eu jurara ódio de morte aos vestidos de tule. Sempre que os meus olhos pousavam num daqueles, pelo meio das revistas de vestidos de noiva que folheei frenéticamente naquele ano que antecedeu o casamento, fazia caras de tédio e nojo, prometendo que nunca seria um tufo de merengue pérola. Tudo isto para grande desgosto da minha mãe, que amava todos os que tinham o malfadado tecido. 
Não sei que feitiço me lançou. Naquela tarde, experimentei todos os vestidos que haviam, que correspondiam a tudo o que eu dizia adorar, passei as mãos por AQUELE...e passei depressa, porque achava que não era nada daquilo. Por último, a minha mãe - vá, experimenta, ninguém diz que vais comprar, é só para ver...
Pois que se deu o clique, e eu estava entre o deslumbrada e o horrorizada. Nem sabia bem o que pensar, porque o que sentia era que o vestido tinha sido feito para mim, para o meu dia de Cinderela. E foi...

Do que me foram lembrar

3 de agosto de 2010

Capilé é só sinónimo das tardes de Verão da minha adolescência. 
Há muito que não degusto um refresco destes. 

Recordar

30 de junho de 2010

Foi há um ano que se erradicaram de vez as fraldas desta casa, pois deixou de precisar delas para dormir.

Anita e o Burrito

6 de maio de 2010

Mais um amigo para a Anita (e roupa nova, tal e qual no livro).

His(es)tória(s)

3 de maio de 2007

Quando começaram a construcção da Ponte 25 de Abril (de Salazar na altura), houve muitos desalojados. Quase todos foram realojados no, hoje, meu bairro. Os meus avós foram aqui realojados, quando a casa onde viviam teve de ser demolida para se construir a rotunda do centro sul, o mais directo acesso à ponte.
Foram dos 1ºs a ter TV a preto e branco. A televisão era trazida para a rua, nos dias quentes e os miúdos (e graúdos) ficavam ali presos ao ecran.
Foi aqui que a minha mãe subiu às árvores e brincou à apanhada. As mesmas pedras da calçada que ela pisou, que eu pisei, pisa hoje o meu filho. Foi no sotão, onde dorme hoje o Gabriel, que o meu tio ouviu Zeca Afonso no gira discos e pendurou cartazes contra o regime. O quarto que é hoje da Diana foi outrora da minha mãe, foi lá que brincou com bonecas, foi lá que sonhou com o futuro.
Foi também neste quarto que, mais tarde, faleceu a minha bisa. Nem por isso acho mórbido. Era o que ela mais queria, era morrer em casa e não numa cama de hospital.
Foi no quarto onde durmo hoje com o meu marido, que dormiram os meus avós. Foi também este quarto que albergou os meus pais, eu e a minha irmã até ela completar 1 ano de vida ( eu tinha mais de 2).
Era a esta casa que nós vínhamos de 15 em 15 dias, ao Domingo, brincar e comer os pudins e o arroz doce da minha avó.
Foi na minha sala que o meu pai namorou a minha mãe, sob o prescrutador olhar da minha avó.

Gosto de viver numa casa com tantas memórias. Boas e más. Sinto-a tão minha...

Faz hoje 1 ano

25 de abril de 2007

Que nos mudámos para esta casa.
O Gabriel tinha 16 meses e eu estava grávida de quase 17 semanas.
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