Estava tão bem e depois tive filhos (parte 2584)

26 de setembro de 2018

Ainda não tinha aqui dito, porque também não tinha calhado, mas o meu pai (reformado há 6 anos) voltou a trabalhar há coisa de uma semana.
Claro que fiquei feliz por ele, porque vai ser uma ajuda ao seu orçamento familiar (as reformas são tão pequenas), mas por outro lado perdi o meu bombeiro de serviço, que tantas vezes nos socorreu com os miúdos nestes anos de maior disponibilidade.
Hoje a Diana ligou-me, pouco passava das 14h, com voz sofrida a contar que se tinha cortado a abrir a lata de atum e que o sangue não parava.
- e o que é eu faço? 
Em segundos imaginei um cenário digno de Tarantino, mas saiu-me uma voz serena e segura de si:
- Diana, a mãe está longe, não há ninguém que te possa socorrer. Tens de enrolar um pano à volta da ferida e fazer pressão. Deixa estar assim algum tempo e quando parar a hemorragia, pões um penso. 
Telefonei mais duas vezes, espaçadas entre si.
À terceira vez: - ó, mãe, estou a almoçar, não precisas de estar sempre a telefonar!
E assim se cresce. E assim se ganham cabelos brancos extra.

Semana 38/52 - 2018

24 de setembro de 2018

Ora pois que se acabou o que era doce!
A rapaziada voltou à escola. Já nos encaixámos nos horários novos e agora é esperar por aquele dia em que já se arrumam as mochilas em piloto automático sem olhar para a cábula.
A Diana está a gostar muito da escola nova, da turma e até dos professores.
O Gabriel já anda a pensar no futuro, porque para o ano já tem de escolher uma área...mas cada coisa a seu tempo.
O Outono também chegou ontem, cheio dos calores. 34º. Praia a tarde toda. Água maravilhosa. Saímos de lá já debaixo de um céu azul escuro e uma lua cheia brilhante e majestosa.
Ontem tivémos reunião de miúdas para pormos no papel o nosso roteiro para NYC.
Faltam 34 dias...
Prometi não me queixar do calor. E estou a tentar cumprir. Até porque a lamúria não me adianta de muito. Mas estou ansiosa por sentir o meu Outono, à séria.
Para compensar, os pores-do-sol deste fim-de-semana foram de encher o olho e o coração.

Semana 37/52 - 2018

17 de setembro de 2018

Esta semana foi o derradeiro adeus dos miúdos às férias.
Setembro é aquele mês em que vemos o verão extinguir-se lentamente. A doçura dos pores do sol, as manhãs fresquinhas coroadas por dias quentes, como se ele não se quisesse despedir sem ser em grande.
Ontem passámos o dia com amigos na praia fluvial dos Olhos d'Água, em Alcanena, Santarém.
E eu fiquei secretamente orgulhosa dos meus filhos.
Porquê? Eu explico. Este encontro com amigos já estava marcado há algumas semanas. Implicava deslocações por parte de alguns dos envolvidos, daí a antecedência com que ficou combinado.
Os homens são amigos da bola e quiseram juntar as família para um churrasco. Por isso a ideia era mesmo levar esposas e filhos.
Entretanto, há uma semana surgiu o anúncio de um acampamento. Eles disseram logo que queriam muito ir. E ficaram muito frustrados quando dissémos que não ia dar, porque foi anunciado em cima da hora e já tínhamos um compromisso com outras pessoas para esse fim-de-semana. 
Claro que compreendemos que queriam estar com os seus amigos, mas seria muito pouco educado da nossa parte desmarcar com quem já se tinha organizado para esta saída e estava fora de questão irmos sozinhos. 
Depois de muito implorarem e de muitos porquês e de muitos amuos e revoltas, perceberam que não íamos ceder.
Os filhos dos outros casais eram todos mais novos que eles. Deixar de ir a um acampamento com os meus amigos para estar com pirralhos, podia ter sido o seu pensamento. Podiam facilmente ter amarrado o burro e assumido a posição do adolescente contrariado "não me fizeste a vontade, agora também não me vou divertir"
Mas não. Foram simpáticos, pacientes e acredito que se divertiram. 
Concluíndo, nem sempre a vida corresponde às nossas vontades e desejos, mas não adianta de nada amuar ou alimentar um espírito vingativo. E isto mostra maturidade. Mostra desapego. Mostra abnegação.
E como não somos pais só para dar na cabeça, fica o registo.

Semana 36/52 - 2018

10 de setembro de 2018

Setembro é o meu mês de fazer o ninho. 
Não tenho fotografado tanto como é costume. Parece que depois das férias, de uma viagem, ou outro acontecimento semelhante, tudo parece corriqueiro e desinteressante.
Os dias sucedem-se uns aos outros sem nada que mereça realce ou registo.
Eu ando numa espécie de tentativa de arrumar/destralhar/organizar (e acreditem que este espírito baixa em mim muito raramente) e os quartos dos miúdos estão mais ou menos preparados para o inverno e para o início da escola. Juntei 2 sacos e meio de roupa para dar. Limpei o roupeiro. Passei a ferro. 
Bebi o meu primeiro PSL (pumpkin spice latte) da season
Completámos 16 anos de casamento. Fomos jantar ao "O Mercado" e recomendamos. Um espaço muito descontraído, comida boa e sobremesas incríveis.

Semana 35/52 - 2018

3 de setembro de 2018

Despedimo-nos de Agosto e recebemos Setembro.
A minha playlist outonal já está a rolar no trabalho e já comprei os cadernos para ambos. (gastar 60€ em papel é um pouco desconcertante...) Já lavei as mochilas e estojos. Falta dedicar-me a forrar os livros. 
Ontem sarnei os meus pais para me levarem ao IKEA e trouxe uma secretária mais condizente com a filhota, e o quarto parece que ganhou vida. (claro que nunca trazemos só o que ia na lista, e de repente damo-nos conta de que precisamos de imensas coisas que dantes não sabíamos que precisávamos)
Fiz uma deliciosa tarte de maçã no sábado e os miúdos andam a queimar os últimos dias de descanso como podem, já com alguma depressão pré-regresso à rotina a pairar sobre as suas cabeças.

P.S.: Faltam 55 dias.

Não há Ben U Ron que nos valha, mas diz que sobrevivemos

27 de agosto de 2018

Quando é que nos tornamos nas pessoas de quem eles se querem afastar?
Quando é que tudo o que está lá fora passa a ser muito mais apelativo do que tudo o que têm em casa?
Quando é que os pais dos outros são sempre melhores do que nós?
Quando é que passam a ter vergonha do que dizemos ou das nossas brincadeiras?
Quando é que estar fora é sempre melhor que ficar?
Eu nunca achei que fosse ser a mãe que se deixaria ferir pelas ferroadas dos filhos adolescentes. Às vezes são palavras, às vezes apenas gestos...talvez até só um certo olhar, num determinada situação.
Mas a verdade é que a vida às vezes nos ensina que nem sempre o que pensávamos que seríamos, somos. 
Não é nenhum drama. Acho. Nem vou fazer um. Mas dói de fininho. 
Uma dor agridoce. 
Se por um lado nos enche de alegria perceber que não são só nossos. Que outros entram no seu mundo e se tornam importantes nele. Que são queridos e desejados fora das nossas fronteiras. 
Por outro, rói cá dentro um aperto que nos diz que isto é o começo do abrir de asas, tão ansiado quanto temido.
É esta a dualidade de se pôr filhos no mundo. 
Dizem que temos 18 preciosos verões com eles. Com sorte, alguns mais.
Mas esta viagem, entre sermos casa e sermos só porto seguro, onde regressarão muitas vezes e partir outras tantas, custa.

Semana 34/52 - 2018

27 de agosto de 2018

Foi a semana do regresso ao trabalho.
O Verão ainda não terminou, mas eu sinto que já comecei a "fazer o ninho" para a estação seguinte.
Este fim-de-semana desmanchei uma abóbora enorme que tinha lá em casa desde Outubro do ano passado. Não fez 1 ano, mas esteve perto. Pensava mesmo que já estaria estragada mas, incrivelmente, não. Fiz doce e puré para guardar.
Ainda fomos à praia no fim do dia de quinta-feira. A água estava ótima, apesar de eu só ter molhado os pés.
Também fomos visitar o tio Zé e a tia Teresa. O tio já está em casa a convalescer, depois de uns dias de "férias" forçadas, no hospital. Esperamos que a recuperação seja total e que ele mantenha o espírito positivo, mesmo que venham dias mais chatos pela frente.
Adorámos rever o cão Simão, que continua igual a si próprio, irreverente, curioso, meigo, irrequieto. Desta vez a Diana já não teve medo e ficaram amigos.
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