Voltar a ser vegetariana ou breve momento autobiográfico

3 de março de 2015

Este é um dos meus grandes objectivos para 2015.
Quero muito e vou conseguir, até porque para mim não é um sacrifício. É só mesmo uma questão de compromisso e decisão.
Até aos 18 anos nunca entrou nem carne nem peixe na minha boca. 
[os meus pais são vegetarianos desde 1979. Até ao nascimento do meu irmão, em 1999, sempre incluíram o leite, os ovos e derivados (queijo, iogurtes, etc) na nossa alimentação. Depois disso, como o meu irmão tinha asma, deixaram o leite de vaca e passaram a consumir leite de soja, reduzindo o consumo de ovos e queijo]
Eu, a partir dos 18, volta e meia, condescendia com o meu regime alimentar, em refeições fora, na casa da família do namorado, que nunca na vida tinha ouvido falar de soja e bifes de seitan.
Os meus princípios religiosos sempre circunscreveram as minhas incursões ao mundo animal ao consumo de frango, peru, vaca e alguns peixes (só os que têm simultâneamente escamas e barbatanas). 
Quando casei, aos 23 anos, deparei-me com a realidade de ter de gerir a minha casa, e as escolhas alimentares faziam parte das muitas coisas que uma pessoa tem de organizar quando sai de casa dos pais e passa a ter de cozinhar, incluindo os gostos e as preferências da pessoa com quem se casou.
Eu, infelizmente, escolhi a saída mais fácil, a que me permitia ter menos trabalho.
Hoje arrependo-me. Muito. 
Quando fiquei grávida do Gabriel, mal podia ver carne à minha frente. Sopa, dessem-me sopa e saladas e eu andava feliz. Incrivelmente, ele desde sempre mostrou pouco interesse pela carne. Gosta de peixe, mas entre um bife de vaca e um de seitan a escolha é fácil. Ganha a opção mais saudável.
A Diana já é outra história. Come bem todos os pratos vegetarianos que faço, mas é gulosa. Isto é, um bife (sem quaisquer vislumbres de gordura) ou um hambúrguer com batatas fritas são coisas para a deixar a salivar.
Tudo se trabalha, é verdade. E eles têm a vantagem de estar habituadíssimos aos paladares e texturas do vegetarianismo. 
Deixámos, eu e os miúdos, o leite de vaca há quase 2 anos.
A carne de vaca também passou a ser carta fora do baralho de há uns largos meses para cá.
Este ano faço 36 anos. Está na hora de voltar às origens...e já vou tarde.
Vou continuar a confeccionar a carne e o peixe para o marido e isso implica mais trabalho, mas estou disposta a isso. Terei de conviver com a possibilidade de, por vezes, os filhos (ou a filha) não me acompanharem nesta opção de vida, mas quero fazer o que me deixa de bem comigo.
Ontem fiz uns pasteis sem bacalhau do The Love Food
Maravilhosos! E eu nem sou grande fã de tofu.


7 comentários:

  1. A questão (ou uma delas, pelo menos) é até que ponto a soja, seitan, tofu e afins são mais saudáveis que a carne. É que raramente são. A carne biológica é melhor e tem aminoácidos essenciais (e basta pouca quantidade). A soja é quase toda alterada geneticamente e isso a mim deixa-me muito mais reservas.

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    1. Raquel, podes encontrar aminoácidos essenciais nos vegetais, nos cereais, etc...aqui a questão é que sempre fui feliz e saudável com o regime vegetariano que me foi incutido pelos meus pais e, cada vez sinto mais falta de voltar a ele. Não acho mesmo que as proteínas vegetais sejam piores que as animais. Hoje em dia, quase tudo está contaminado de uma forma ou de outra. Mas continuo a acreditar, por variadíssimas razões, que o regime vegetariano é o melhor. No meu caso, para além de esta ser uma convicção de saúde, também é uma convicção espiritual. Acho que este era o ideal de Deus para nós. E actualmente, ainda mais, devido à forma negativa como a indústria das carnes se desenvolveu. Devido à poluição dos mares, oceanos, rios...enfim...são muitas as razões. :) Mas eu percebo que te faça confusão e que tenhas reservas.

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    2. Olha aqui: "Até mesmo dietas estritamente vegetarianas podem suprir facilmente as necessidades proteicas de qualquer indivíduo, basta que se combine alimentos ricos em proteínas - por exemplo, arroz contém poucas quantidades de alguns aminoácidos que são encontrados em boas quantidades no feijão. De forma similar, feijão contém poucas quantidades de alguns aminoácidos dos quais o arroz é rico. Juntos, feijão e arroz fornecem quantidades adequadas de todos os aminoácidos essenciais."

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    3. Essa informação não é correta, Raquel. É transcrita de onde?

      Claro que também há proteínas nos vegetais (eu não disse que não) mas com aminoácidos diferentes - e todos são importantes e nos fazem falta. A riqueza está na pouca quantidade e muita variedade de tudo. Por razões religiosas acredito precisamente no oposto de ti. Esse era o plano inicial mas nós já não vivemos no Éden e a aliança é outra, nem sequer compreendo como alguém possa defender isso sem ignorar vários textos bíblicos. Temos de conversar sobre isso um dia, gostava que me explicasses.

      É factual que a maior parte das pessoas sobrevive uma vida inteira com uma nutrição deficitária por isso acho bem que sejas vegetariana se te sentires melhor assim - só chamei a atenção para os riscos de uma dieta rica em OGMs, cujas consequências ainda se desconhecem. Bj

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  2. Podes sempre usar o meu email ;) kokitas@gmail.com

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