Ontem recebemos a notícia do falecimento de um ex colega do meu marido. 34 anos. Um filho de 7 anos. Ficámos em choque. Num dia estava bem, no outro caiu para o chão inanimado. E por um momento lembramo-nos que a vida que nos deram sem escolhermos, também se pode ir da mesma forma, sem que possamos escolher o dia, a hora...que isto é tudo aleatório, que nada nos pertence, que este sangue que nos corre nas veias pode parar o seu curso num abrir e fechar de olhos.
Chega-se a uma certa idade em que não dá para pensar que somos de ferro e que nada nos atinge. Porque as coisas não acontecem só aos outros. Que a vida não é só isto, ou seria tudo muito injusto. Quando se têm crenças, como eu tenho, sofre-se um bocadinho por pensarmos que quem amamos não reflecte no futuro como nós, e que não anseia pelo mesmo que nós. E os dias correm num tal frenesim que, só em situações como esta, percebemos o quão triste é não ansiarmos pelo mesmo, como um todo. Mas isso eu já sabia quando me casei...e agora só me resta confiar e esperar, porque a esperança é o que nos move, o que nos anima, o que nos ampara.