Estão fundamentalmente a ser apenas irmãos. Esta é uma coisa que os irmãos fazem. Deve ser uma espécie de treino para a vida ou simplesmente uma demonstração elevada de afecto, daquelas que só manifestamos àqueles que sabemos que nunca nos vão realmente detestar por sermos detestáveis.
Eu confesso-me um bocado perdida no meu papel de mãe quando isto acontece. É desgastante ouvir queixas, gritos ou pedidos de intervenção constantes. Para a seguir ouvir risinhos parvos, que inutilizam tudo o que eu possa ter feito para amenizar as guerrilhas entre eles. É um papel inglório, este.
Por outro lado, também se inaugurou a fase da mãe-invisível. Deve ser outro super-poder que herdamos quando temos filhos. As repetições a que a desobediência deles me obriga são brindadas com uma total ausência de resposta. "Falar para o boneco" ou "para a parede", "pregar para os peixinhos" são expressões que me assentam que nem uma luva. Depois canso-me e acabo por me exaltar e os nossos dias são esta luta constante por este equilíbrio entre amar e ser-se respeitado ao mesmo tempo. Não é fácil. O pouco tempo que passamos juntos deixa-me com aquela sensação de que sou a figura dos nãos, das ordens, dos sermões. Porque não houve tempo no dia para ser a outra, a que conta histórias, a que sorri, a que elogia, a que daria tudo para não ter de se aborrecer.







