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Considera-se aberta a fase da implicância premeditada

26 de novembro de 2012

Estão fundamentalmente a ser apenas irmãos. Esta é uma coisa que os irmãos fazem. Deve ser uma espécie de treino para a vida ou simplesmente uma demonstração elevada de afecto, daquelas que só manifestamos àqueles que sabemos que nunca nos vão realmente detestar por sermos detestáveis.
Eu confesso-me um bocado perdida no meu papel de mãe quando isto acontece. É desgastante ouvir queixas, gritos ou pedidos de intervenção constantes. Para a seguir ouvir risinhos parvos, que inutilizam tudo o que eu possa ter feito para amenizar as guerrilhas entre eles. É um papel inglório, este.
Por outro lado, também se inaugurou a fase da mãe-invisível. Deve ser outro super-poder que herdamos quando temos filhos. As repetições a que a desobediência deles me obriga são brindadas com uma total ausência de resposta. "Falar para o boneco" ou "para a parede", "pregar para os peixinhos" são expressões que me assentam que nem uma luva. Depois canso-me e acabo por me exaltar e os nossos dias são esta luta constante por este equilíbrio entre amar e ser-se respeitado ao mesmo tempo. Não é fácil. O pouco tempo que passamos juntos deixa-me com aquela sensação de que sou a figura dos nãos, das ordens, dos sermões. Porque não houve tempo no dia para ser a outra, a que conta histórias, a que sorri, a que elogia, a que daria tudo para não ter de se aborrecer.

Dos nano-segundos de felicidade maternal

4 de novembro de 2012


"To the outside world we all grow old. But not to brothers and sisters. We know each other as we always were. We know each other's hearts. We share private family jokes. We remember family feuds and secrets, family griefs and joys. We live outside the touch of time."
Clara Ortega

O tapete mágico [mini conto]

21 de novembro de 2011

Processo criativo: Diana e Gabriel
Escritor: Gabriel
Ilustrações: Diana

Era uma vez uma noiva. Estava a passear e encontrou um homem e depois encontraram uma criança. Estava perdida no meio da floresta. Ela encontrou um casal e foram todos para casa e depois a Dina e o Rogério foram passear. 
Mas a Dina ficou com dores de barriga e foi para casa da tia e deitou-se na cama.
A Dina depois encontrou um tapete mágico e contou à mãe e a mãe foi ver. A mãe disse ao pai e depois comeram bolo e foram para casa no tapete mágico.
 FIM


Amigos

23 de agosto de 2011

Tão amigos quanto é possível aos irmãos serem. Nesta fase já começa a ser mais frequente e mais pacífico. 
Aquelas manhãs em que o acordar não é simultâneo é ver o ar de seca que se instala na cara do que acordou primeiro. Reconheço essa sensação e fico muito feliz por eles partilharem esse sentimento um pelo outro.

Uma pequena amostra das brincadeiras deles...

15 de julho de 2011


A pedido, fiz este vídeo. 
- ó mãe, vá lá, vamos fazer um filme e tu és a "raializadora".

(como devem perceber o Gabriel quer é monstros, matar e partir cabeças e a Diana tem uma espécie de spray atordoante para namorados chatos e que serve também para neutralizar criminosos)

Gazeteiros

5 de maio de 2011

Amanhã ficam por aqui comigo. 
Os meninos do 4º ano vão ter provas de aferição e de manhã não há aulas, vai daí resolvi que não valia a pena ir lá levá-lo depois de almoço só por 2 horas e meia e a irmã fica por solidariedade.

Hoje quis despachar os banhos

2 de maio de 2011


E, contrariando o que tenho feito, tomaram banho juntos. Eu lavo cabelos enquanto eles se esfregam com a esponja e ainda fizémos uns penteados de brincadeirinha.

Espreitar o filho mais velho

23 de abril de 2011

Hoje rumei ao local do acampamento, para matar as saudades do filhote. Não as mitiguei, acho que ainda aumentaram mais. Mas soube bem sentir aquela carinha e dar-lhe uns beijos. 
Ficou bem, com a promessa de que teria um pedaço de bolo de bolacha quando chegasse a casa.
A Diana, por sua vez, esteve sempre bem disposta, nunca ligou ao irmão, na brincadeira com a prima mas, chegada a hora de vir embora disse-lhe: - então, não dás um beijinho ao mano?
O que eu fui fazer! Ela deu o beijo e começou a chorar sentidamente. 
Tentei perceber o porquê: - gosto muito do mano... - disse ela, entre lágrimas, já escondida no pescoço do pai.

Parvoíce conjunta

1 de novembro de 2010

Se vos disser que não acenderam a tv todo o dia, acreditam? Andam numa fase de cão e gato (ele impacienta-se com ela e ela é do tipo de levantar a mão ao irmão mais do que eu gostaria) mas brincam imenso juntos, cada vez mais.

Da ternura...

13 de outubro de 2010

Esta noite a minha miúda teve um pesadelo. 
Diz-se por aí que sonhamos com os nossos maiores desejos e com os nossos piores medos. 
De manhã, no nosso momento mãe&filha, ainda enroscadas nos lençóis ela disse-me - sabes mãe, tive um sonho mau, sonhei que o mano precisava de ajuda e eu não consegui ajudar.

Manos

7 de agosto de 2010

Últimamente têm andado mais cooperantes e amigos. Sinto-lhes a cumplicidade a crescer, ainda que isso aconteça fruto de muitas zangas e desavenças.

Estão abertas as hostilidades

27 de junho de 2010

A história dos meus dias, neste momento, resume-se a mediar conflitos constantes entre filhos. O Gabriel deixou de ser manso com a irmã. Isto é difícil. Provocam-se, baralham-me, por vezes já nem sei quem terá razão e acabo por incorrer na política do não-se-entendem-escolham-outra-coisa-para-brincar (quando não ficam ambos de castigo). Ele brinca melhor sozinho do que ela, regra geral. Ela quer sempre companhia, na maior parte das vezes, há dias excepcionais em que não a ouvimos enquanto cozinha, dá banho e papa aos seus bebés. 
Ele está numa fase em que sente especial prazer em vê-la chorar e leva-a a isso quando pode, achando imensa graça ao desespero alheio. Eu estou a ficar maluquinha...o que restava de sanidade mental está a ir-se. Help!!!

Ser irmão

12 de junho de 2010

Lembro-me muitas vezes de como éramos um núcleo tão fechado, nós, entre irmãs.
Os conflitos existiam, óbvio, disputávamos brinquedos, protagonismos nas brincadeiras, posições, primazias, o que era de quem, quem era quem, quem fazia isto ou aquilo. Mas, honestamente, não me lembro de chamar os meus pais (mais a minha mãe, que era quem estava todo o dia em casa) para dentro das nossas confusões para que as resolvessem, aliás, tenho a viva noção de que achavamos isso pouco desejável e evitavamos essa situação a todo o custo. Tenho presente que sempre que a minha irmã ameaçava chorar ou contar alguma coisa à minha mãe, eu arranjava maneira de contornar diplomáticamente as minhas vontades de maneira a que ela ficasse satisfeita e que eu não ficasse totalmente prejudicada. Recordo momentos em que me apetecia esganá-la, em que as coisas corriam mesmo mal, mas as celeumas eram nossas e em nós ficavam. Terão havido excepções, acredito que sim, mas a regra era esta. 
Hoje não noto isto nos meus filhos. Não se esforçam por negociar entre si, trazem-nos quase todos os conflitos para que os resolvamos por eles. Será um sinal dos tempos??

Fim de tarde na rua

11 de junho de 2010


Há dois anos o puto ainda não tinha força nas canetas para andar na bicla e depressa se desinteressou. O ano passado pouco andaram.
Hoje, a Diana pediu para andar no triciclo e ele lá pediu para andar na bicicleta para fazer companhia à irmã.
E lá estiveram às voltinhas imenso tempo, enquanto eu preparava o jantar. Pode ser que seja desta que se entusiasme.

Mania que é esperta

26 de abril de 2010

Hoje ao pequeno almoço, víamos as notícias que falavam do embróglio com os médicos não qualificados que trabalham nas urgências:
- olha, mãe, aquilo é o médico onde está a Tia Kriz???
Vira-se a "sôdotora":
- não é médico, é hospital!
(Glup!)

Brincar

18 de abril de 2010

Gosto quando esquecem a televisão e se lembram um do outro e de como entenderem-se a brincar pode ser realmente divertido. Hoje tem sido um desses dias.
Montaram a tenda no quarto da Diana, levaram bolachas, livros e a lanterna. Ouvem-se os risinhos de vez em quando...e os gritos de terror seguidos de gargalhadas, porque o Gabriel já inventou papões.

TV On

13 de abril de 2010


Nem ouvem quando falo com eles.
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