Esta madrugada vivemos momentos de verdadeiro medo.
Eu deitei-me eram 23h mas nunca preguei olho, devido às dores de garganta. Pouco antes da uma da manhã, lembrei-me que não tinha posto os lençóis da miúda a secar e que ela precisava deles de manhã.
Lá desci ao r/c e pus a máquina a funcionar. Temos uma porta de correr que separa a sala da cozinha. Fecho-a sempre, para que não se ouça o barulho das máquinas lá em cima nos quartos, e desta vez não foi excepção.
Perto das 3 da manhã, e como nunca adormeci realmente, comecei, do nada, a ouvir a máquina a trabalhar, coisa que só seria possível se abrissem a porta. Eu tinha a certeza absoluta que a tinha fechado. O meu coração disparou. Ouvi passos no andar de baixo e barulhos de quem remexia nas coisas. Acordei o meu marido, que pensou que eu estivesse louca. Lá se levantou, e eu gritei-lhe que acendesse a luz e foi aí que a pessoa fez um movimento mais rápido e ele ouviu e gritou-lhe impropérios ao mesmo tempo que produzia sons, como quem descia as escadas a correr.
A pessoa fugiu e ele arriscou a descer, eu fui logo atrás. Teve receio que estivesse armado ou que fosse mais do que um. Por isso tentou assustar para ver se afugentava quem quer que estivesse lá em baixo.
Senti-me verdadeiramente indefesa.
Nunca mais serei a mesma descontraída de sempre.
Já não estava lá ninguém. Mas a sala tinha sido remexida. O portátil já estava desligado da ficha, a carteira toda aberta, os nossos telemóveis tinham desaparecido, mas...a pessoa em questão, com a pressa de fugir, deixou o seu telemóvel para trás, mesmo em cima do sofá.
Reconheci o rosto que estava no visor. Um miúdo lá da rua, com quem o meu filho até costuma brincar. Era o telemóvel do pai. Tive a certeza disso. É toxicodependente. Ligámos para a polícia.
Os miúdos, com toda aquela algazarra acordaram. A Diana ficou agitada até de manhã.
Eu acho que nunca mais vou esquecer aquela sensação de invasão e medo. Inacreditavelmente, ontem esquecemo-nos de trancar a porta das traseiras e foi por aí que ele entrou.
Agora resta-me acreditar que ele vai ser apanhado e preso. Soubemos depois, pelos agentes, que tinha tentado assaltar mais uma casa antes de entrar na nossa.