E se esquece que lhe pode cair em cima.
Para quem está de fora, é muito fácil fazer juízos de valor. É muito fácil lançar olhares reprovadores ou tecer comentários infelizes. Quando se tem crianças que nunca dão chatices, é fácil bater no peito e debitar teorias fantásticas. O pior é quando nos calha um que não vai em tudo aquilo que vem nos livros. Aí é que a porca torce o rabo. Eu tenho as duas experiências. E enerva-me bastante, depois de a minha filha, que eu conheço muitíssimo bem e que sei que não é nenhuma santa, fazer mil e uma birras (e que no seu estado normal já é teimosa, com sono e moída depois de vir da praia, pior), ouvir coisas como - porra, que esta miúda é mesmo terrível!!!
Eu sei bem quem tenho. Nunca deixo nenhum NÃO por dizer, sempre que é necessário, mesmo nas alturas em que me apetece fingir que não vi ou ouvi. Dou-lhe palmadas, quando vejo que esgotei todas as alternativas, ponho-a de castigo, falo com ela a bem, tudo. Tento tudo. Agora não me venham com bitáites infelizes, nem teçam comentários menosprezantes sobre os meus filhos, que para lhes dar na cabeça estou cá eu. E, se Deus quiser, é ao pé de mim que se vão portar mal, porque aquilo que lhes ensino há-de vir ao de cima quando estiverem fora da minha asa. E não vai ser hoje, amanhã, ou quando me convier. Vai ser sempre que eu não esperar, sempre que se lembrarem do que ficou no sub consciente. Vai ser quando eu pensar que não lhes ficou lá nada. Sou eu que me esforço todos os dias, é a minha cabeça que fica em água. Ninguém, mais do que eu quer que ela obedeça ou se porte bem. Um dia....e esse dia há-de chegar. Porque tal como ela, eu também sou teimosa, e chegará o dia em que ela vai ouvir à primeira, e obedecer à 3ª, um dia ela vai conhecer-me tão bem como eu a ela. Mas até lá, não me chateiem. Cada um tem as suas lutas. E não há crianças boas e crianças más. Há crianças diferentes. E não há receitas infalíveis para educar. Há esforço...muito. E cada um sabe de si.