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A minha filha supera-se

21 de agosto de 2009

Distribui os ganchos pelas amigas e faz as pulseiras de fisgas [as ditas não lhe sobrevivem muito tempo].
Traz sempre os pés muito mais imundos que o irmão, porque não resiste a tudo o que seja sujidade. Não é a primeira, nem será certamente a última vez, em que a vou buscar e ela vem a correr para mim, com um ar normalíssimo, descalça, pézinho ao léu, no cimento, na areia, onde for.
Hoje, na escola, conseguiu apanhar uma tesoura em cima de um móvel e deu uma tesourada no cabelo. Foi tanto ou tão pouco, que teve que ser varrido, tal era o molho caído no chão.
Agora tenho de lhe pentear o cabelo para o lado da catástrofe, para não se notar o desbaste.
Em casa, a sua capacidade inventiva de mexer onde não deve e fazer porcarias não é menor.
Há momentos em que já não sei que lhe faça.
Acabei de escrever esta frase e ela vira-se para o irmão, enquanto lhe chega o pé ao nariz:
- Gabriel, cheira o meu pé!!
Claro que o irmão acabou de a ameaçar que se vai embora com os bonecos dele, porque ela o está a chatear insistentemente.
E é esta a minha vidinha.
Às vezes só me apetece esganá-la.

É tudo um complot

13 de abril de 2009

Os miúdos formaram uma sociedade para darem cabo de nós.
- é o pai monstro e a mãe monstra!! - gritam esbaforidos enquanto fogem pelas escadas.
Nós estavamos silentes, nada ameaçadores, só queríamos conseguir ver o programa de televisão que estava a dar sobre o caso Maddie. Mas não... do andar de cima ouviam-se gritinhos, risadas maléficas, tombos, objectos a cairem. Estavam fora deles, os gaiatos. Descontrolados, com a adrenalina ao máximo.
Ele instiga e ela faz. Todo o tipo de asneiradas são possíveis. Quando cheguei ao quarto dele, a cama, sim, leram bem, a cama estava completamente fora do sítio. Como ele dorme num sotão, o tecto é mais baixo dos lados, rasparam com a cabeceira da cama no tecto...fiquei possessa!
O tapete tinha voado para a extremidade contrária ao seu sítio habitual. Dei um ralhete e uma "belinha" a cada um. À medida que ficam mais unidos e amigos, mais difícil é discipinar. O Gabriel, quando o repreendo, olhos nos olhos, faz um ar muito compenetrado, que disfarça, por pouco tempo, o esforço titânico para conter o riso de que é acometido. Abre muito os olhos, começa a tremelicar-lhe o nariz e por fim descamba numa risada quase incontrolada. E eu fico assim, sem saber como manter o respeito, ao mesmo tempo que tenho de engolir o meu próprio riso, porque o gaiato tem uma gargalhada contagiante. Vou ficar velha em três tempos. E os trinta aí a chegar...é tudo um complot!

Lindo Lindo

20 de setembro de 2007

É apanhar o meu filho a pintar os lábios com o meu corrector de olheiras.

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