Depois de 2 semanas em casa, o fim de semana parece-me ainda mais curto. Não chega para recarregar baterias, de descanso, de filhos, de marido. Ao fim ao cabo, o fim de semana, ou melhor, o Domingo, serve para orientar a lida da casa e o resto da semana, por isso já estamos com um pé na lufa-lufa diária. Valha-me o sábado, para desintoxicar de tudo, televisão, preocupações, de todo o ruído na minha vida. É uma verdadeira bênção, um oásis neste corre-corre.
A minha filha, de há uns meses para cá que dá em boicotar as minhas noites de sono. Não o fez em bebé, ainda vai a tempo. Pesadelos, monstros, muito aflita, insiste em ir para a nossa cama. Eu acho que isso não é solução, não a ajuda a enfrentar a sua dificuldade, muito menos a sentir-se capaz de superar os seus medos. Estes são bem reais, embora aquilo que lhes dá origem não seja. Quem nunca sentiu medo do escuro, ou nunca imaginou pessoas ou criaturas sombrias dentro do quarto. Todos fomos crianças, a imaginação levava-nos a melhor. Lembro-me de o Gabriel ter passado uma fase assim, de acordar aflito e não o conseguirmos acordar daquele estado de pânico em que estava, nem nos via e ouvia. Mas há uns 2 anos que não tem nenhum episódio destes.
Eu já selecciono bastante o que eles vêem na televisão, mas pelos vistos não é suficiente. Ela, ou o seu subconsciente, são muito sensíveis.
Hoje, a uma hora de o meu despertador tocar, lá tivemos mais uma crise.
- não Diana, os zombies não existem. Isso só existe na tua cabeça, não é real. Tens de pensar em coisas boas e tentar dormir.
Depois agarra-me, não me quer deixar ir, uma aflição. Escusado será dizer que foi uma hora perdida até soarem as 6 badaladas. Para mim e para ela, que quando me levantei ainda não tinha pregado olho. Hoje despedi-me dela. Estava de olho bem aberto. Sempre a pedir para deixar a porta o mais aberta possível.
Ah, afinal não lhe disse a verdade. Os zombies existem, eu hoje pareço uma.

Fui a última a chegar e, mal abri a porta, dei de caras com o um puto completamente esparramado no pouf a dormir.